Pandemia

Comitê Covid-19 da UFPel lança Nota Técnica

No documento, universidade afirma que o distanciamento físico, a vigilância epidemiológica e a vacinação são as três estratégias para combater o vírus

Jô Folha -

Nesta quarta-feira (26), o Comitê Covid-19 da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) lançou uma nota técnica avaliando a situação da pandemia em Pelotas. No documento, a universidade recomenda ações como o distanciamento físico, a vigilância epidemiológica e a vacinação são três estratégias que deveriam ser prioritárias para combater o avanço do vírus.

Na nota, a universidade ainda aponta que, depois de 14 dias de aumento, a cidade apresenta uma média móvel de 7 dias de 171 casos diários. Este é o número médio de casos novos mais alto desde 22/03. A número básico de reprodução ultrapassou o valor 1 em 14/05, seguiu aumentando e atingiu 1,17 no dia 23/05, ou seja, um aumento de 17% na velocidade de transmissão num período de 9 dias.

Confira a nota na íntegra abaixo:

"O Comitê UFPel Covid-19, vem por meio de nota técnica, analisar a situação da epidemia de COVID-19 em Pelotas e recomendar a adoção de medidas para o seu enfrentamento.

O município apresenta, depois de 14 dias de aumento, média móvel de 7 dias de 171 casos diários. Este é o número médio de casos novos mais alto desde 22/03. A número básico de reprodução ultrapassou o valor 1 em 14/05, seguiu aumentando e atingiu 1,17 no dia 23/05, ou seja, um aumento de 17% na velocidade de transmissão num período de 9 dias. Desde 15/04 o município estabilizou na média móvel de 7 dias de 4 a 5 óbitos diários. Desde 04/05, os números de internações em leitos de enfermaria interromperam a tendência de queda estabilizando em torno de 80 leitos ocupados, numero superior ao do pico ocorrido em dezembro. Desde meados de março, os leitos de UTI operam com demanda superior ou na capacidade máxima de 60 leitos, quase o dobro da ocupação ocorrida no pico de dezembro. Os dados deixam claro que não há margem para enfrentar um eventual recrudescimento da pandemia.

Três estratégias estão disponíveis para o enfrentamento da pandemia: o distanciamento físico, a vigilância epidemiológica e a vacinação. Nas últimas semanas houve forte redução do distanciamento físico. Dados nacionais apontam que o percentual de pessoas que saem de casa para trabalhar ou outras atividades aumentou para 63%; enquanto houve diminuição do número de pessoas que só saem de casa quando é inevitável (28%) ou que estão completamente isoladas (2%) (https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2021/05/17/datafolha-nivel-de-isolamento-dosbrasileiros-e-o-mais-baixo-desde-o-inicio-da-pandemia.ghtml). A reabertura das escolas contribui para a redução do distanciamento físico, entre outros aspectos, com o aumento da utilização do transporte coletivo.

A vigilância epidemiológica precisa avaliar os casos suspeitos e rastrear contatos. Com média de 171 novos casos por dia, não parece viável obter o controle da epidemia através da vigilância epidemiológica, porque, para isso, seria necessário testar e monitorar a cada 2 dias os casos e cerca de 5 contatos para cada caso. Isto implicaria em 1026 testes RT-PCR por dia e o monitoramento de 7.182 pessoas por dia.

Em relação à vacinação, o município tem 25,9% da população vacinada com a 1ª dose, e 11,9% com a 2ª dose. A vacinação não pode ser acelerada por falta de doses e há atraso na administração da 2ª dose em idosos vacinados com a Coronavac. Embora já exista evidências em nível local e nacional do efeito positivo da vacinação no grupo etário mais avançado, é importante compreender que o número de pessoas suscetíveis à doença é expressivo na população.

Estes aspectos são agravados pela transmissão comunitária de variantes de preocupação, que são mais transmissíveis e foram identificadas em países vizinhos e em outras regiões do país, além da variante P1 que está disseminada no município. As barreiras sanitárias são insuficientes e oportunizam a chegada de outras variantes na região. Além disso, a chegada do inverno costuma implicar em aumento nas internações hospitalares, agravando a situação de lotação de leitos hospitalares.

Cabe salientar que, o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, em suas orientações operacionais sobre reabertura das escolas, considera que acima de 100 casos novos por 100.000 habitantes nos últimos 7 dias há um risco alto de transmissão comunitária (https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/community/schools-childcare/operationstrategy.html). Pelotas teve, na última semana epidemiológica (SE 20), 331 casos novos por 100.000 habitantes. Assim, neste contexto de alta transmissão, os planos de contingência adotados serão insuficientes para conter surtos em escolas.

Mesmo com retorno parcial, houve surtos em escolas no estado. O aumento da circulação de pessoas tem provocado aumento de casos e óbitos em várias regiões do país. O noroeste do estado já apresenta colapso do sistema de saúde, demonstrando a inadequação do aumento de circulação de pessoas nesta situação de alta transmissão comunitária e grande número de pessoas suscetíveis.

Assim, o comitê se posiciona novamente contrário à reabertura das escolas e recomenda um lockdown de 14 dias (ou até que se reduza o número de casos para 25 por dia, ou em acordo com a capacidade de detecção, rastreamento de contatos e monitoramento de casos e contatos do município). A redução nesse quantitativo é necessária para que, a vigilância epidemiológica possa, a partir da ampliação da capacidade de rastreamento e testagem de contatos e de monitoramento de casos e contatos, assumir o controle da epidemia. Com redução do número de casos, a adequação da vigilância epidemiológica e a ampliação da vacinação pode se obter o controle da epidemia. Somente o controle da epidemia preservará vidas e possibilitará a retomada das atividades educacionais e econômicas de forma segura e duradoura.

É preciso agir imediatamente para evitar o recrudescimento da epidemia no município."

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